terça-feira, 22 de outubro de 2013
Moleque
Tinha aquele jeito. O olhar brilhante, o sorriso fácil e a cabeça coberta por caracóis castanho-escuros. A pele,
de um marrom dourado, cobria-lhe o corpo franzino. Por baixo dos pés uma camada grossa, feita por andar sempre descalço.
Corria as tardes sobre a areia fina da praia, sobre o cimento rústico das ruas, sobre a grama rala do campinho. Com ímpeto de conquistador em terras virgens escalava árvores de quintais alheios e montanhas livres que emolduravam a cidade.
As caçadas a sacis, as corridas de pneus, os festivais de pipas com cerol na linha. Desde após o almoço até a hora da Salve Rainha o mundo não tinha limites.
Mergulhava atrás de biguás, nadava ao lado de botos, roubava canoas que devolvia após explorar o estuário, entre aguapês, garças e tainhas.
Investigava os porões dos casarões abandonados em busca de tesouros e fantasmas. Tramava invasões, grandes batalhas e pilhagens.
Valente, ele vivia as coisas que imaginava.
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Só quem passou por esse tipo de infância pra entender mesmo!!!
ResponderExcluirÉ de uma alegria incomparável. A imaginação criativa pulsando sempre.
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